...Com o vento frio soprando...

13 setembro 2015

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Estávamos em um pier, olhando para o mar, o tempo estava fechado e sua expressão facial também. Com o vento frio soprando no meu rosto, eu pude sentir que além do vento, o seu abraço estava mais gelado do que nunca. Ele foi rude, e eu não o entendia mais, ele não era o mesmo, algo havia mudado. Mas o quê? Eu tinha o direito de saber, aliás, todo esse tempo eu deveria saber de tudo, ele sempre soube de tudo. Eu fui insistente, mas juro que em alguns segundos me arrependi de ter insistido tanto.
Depois de suas palavras, naquele exato momento, eu não pude conter a lágrima que estava prestes a escorrer, e mais as outras cinquenta que escorreram junto. Naquele momento, eu já não sabia mais nada, eu já não reconhecia ele e muito menos onde eu estava. Meu cérebro parou e meu coração se despedaçou. Eu não queria entender que aquilo era um fim, que não iria mais existir eu e ele, que todos meus planos estavam acabados, assim, em questão de segundo. Eu não queria. Eu não acreditava em finais felizes como os da Disney, mas eu imaginava um final melhor, na verdade, eu não imaginava um final, não para nós. Então, eu fechei meus olhos e coloquei as mãos em meus ouvidos, eu não aguentava escutar cada justificativa que ele me dava, tentando explicar o que não tinha explicação. E quando abri meus olhos, por alguns segundos, meu mundo parou, virou e ficou cinza. Pode parecer dramático, mas não há dor maior do que ouvir aquelas palavras que você não quer escutar. E em seguida perder quem você não quer perder.
Eu olhei bem em seus olhos e disse para não me procurar nunca mais, o que me doía só de pensar era que aquele olhar confuso que ele tinha e que eu tanto amava eu estava prestes a ser obrigada a esquecer. Eu me levantei e sai, andei rápido, pois o que eu mais queria era chegar logo em meu carro, eu ainda escutei sua voz me chamando, mas nem hesitei em olhar para trás, eu tinha nojo só de lembrar de suas palavras, de lembrar que ele me disse sutilmente que dormiu com outra enquanto dizia que me amava. Isso nunca pode ser o amor, mas se caso isso for o amor, eu nunca mais quero amar. Entrei no carro, e me desfiz nas minhas lágrimas. Eu estava mais decepcionada do que triste. Eu queria saber esquecer uma pessoa na mesma intensidade que elas nos magoam, a vida seria claramente mais fácil de lidar.
Liguei o carro e fui dirigindo sem direção, eu ainda morava com meus pais, eu não queria chegar no estado em que me encontrava em casa. Então parei na primeira cafeteria que encontrei, depois de meia hora que havia estacionado o carro, tentando concertar o estado da minha estética, desci e comprei o maior copo de café que tinha a venda. Sentei em uma mesa com uma janela e vi que o tempo estava mais fechado do que nunca e ao olhar o céu, relembrei que a última vez que reparei o tempo fechado, caiu um tempestade no meu coração. Não demorou muito para meus olhos encherem de lágrimas, era difícil ter que encarar o que tinha acontecido. Mas respirei fundo e tentei sorri, mas foi tentativa falhada, nem um sorriso, não naquele momento e a impressão que eu tinha era que seria assim por mais um tempo. Foi no momento em que tomei mais um gole de café e escutei meu celular tocar, em seguida me arrependi de ter me importado em olhar. Assim como eu, ele era insistente, me ligou mais vezes até que atendi:
- Alô?
- Até quem fim me atendeu.
- Não deveria, mas você insistiu tanto que resolvi fazer tal caridade. Já disse pra não me procurar mais, vou ter que trocar de número?
- Não seja tão precipitada, nós não terminamos de conversar.
- Terminamos tudo, inclusive a conversa.
- Para com isso, você nem me escutou direito. Eu disse para você que eu mudei, depois disso eu me arrependi e...
- Chega! Você é a prova viva que homens não mudam nem se eles quiserem e que pensam igual a qualquer situação, na verdade que pensam só depois de agir, que já é tarde demais. Não vem se desculpar, não tem essa de estar arrependido. Eu já disse, me esquece.
- Não! Não vou te esquecer, você sabe que me tem nas mãos, sempre teve. Eu estava fora de mim, você tem que acreditar que eu te amo.
- E que valor tem esse "eu te amo"? O mesmo que você me deu quando me traiu?
E eu desliguei.
Eu não conseguiria escutar mais nenhuma palavra após ter dito aquilo. Sem conseguir me segurar, comecei a chorar mais. Já constrangida da minha situação, me levantei para ir em direção ao meu carro e chorar até não poder mais. Infelizmente, no momento em que estava procurando a chave do carro na minha bolsa, esbarrei em um garoto e derrubei todo o meu café que estava na minha mão na roupa dele. Eu fiquei tão envergonhada que não conseguia nem olhar para cara dele, sem falar que ele estava acompanhado. Estava com uma garota, que ficou furiosa comigo e que por sinal era sua namorada. E mais um garoto, do qual riu muito do acontecido. E foi exatamente desse sorriso que fiquei encantada.
Eu pedi incontáveis desculpas para o garoto até que ofereci dinheiro para comprar uma camiseta nova e ele disse que não precisava, que estava bem. Acho que ele percebeu que eu estava tão vermelha e com os olhos tão inchados que teve dó de mim. Mas o mais incrível foi o tal amigo dele, depois que ele parou de rir ele ficou me olhando, eu nem havia reparado nele até reparar naquele sorriso tão diferente, mas tão lindo e que não me era estranho. Chegando no meu carro, eu me lembrei o por qual motivo acabou acontecendo tudo aquilo e logo me senti um nada e comecei a chorar, de novo. E em algum momento me perguntei se em algum instante eu iria voltar a sorrir e ter mais motivos para querer ter alguém, ou alguém me daria motivos para sorrir.
 [Continuação]
Tema do projeto Palavra & Foto: Com o vento frio soprando...
Veja também o blog das outras participantes: Nina! e Patricia Lobo

2 comentários:

  1. Adoreii seu texto!! É bem triste a história, na verdade eu acho que todos merecem uma segunda chance, eu sei que não seria a mesma coisa, mas que tal tentar? As vezes as pessoas fazem coisas sem pensar, eu mesma já fiz isso!

    To esperando a segunda parte em!!
    Bjaun da Nina!

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  2. Adorei o texto! Vou já adicionar o teu link na minha participação :)

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