Me vê dois cafés, bem quentes, por favor.

06 outubro 2015

Continuação da parte 1, para conferir a primeira parte clique aqui.
Todos os direitos da imagem reservados ao link
Cheguei em casa e nem olhei para os meus pais. Subindo para o meu quarto, disse ao meus pais que estava cansada e gostaria muito de ir dormir, fechei a porta do quarto, a tranquei e gostaria que fosse assim, eu e a solidão. Mas, minha mãe logo foi atrás de mim. Sem ter mais forças de dizer que eu não queria conversar, apenas destranquei a porta e comecei a chorar descontroladamente. Quando me acalmei, comecei a contar toda a história e escutar as suas palavras, que pareciam me abraçar a cada frase que saia da sua boca. E naquele papo e carinho de mãe, acabei adormecendo.
Na manhã seguinte acordei um pouco melhor, e o dia também. Estava um sol e um calor bom. Desci e tomei café com meus pais. E quando voltei para o meu quarto vi coisas que não queria, lembrei do que hesitei em pensar por algumas horas. Olhar aquelas fotos, aqueles nossos sorrisos, lembrar que cada passo que dávamos agora é uma lembrança naquele mural era uma tortura pois eram lembranças que eu queria esquecer. Com as lágrimas quase escorrendo pelo meu rosto, lembrei que eu ainda tinha um celular e pessoas que me amavam, então fui procura-lo para saber se um indivíduo, aquele que estava no meu mural, teria sido insistente demais durante o resto do dia. E foi aí que o desespero bateu, não achava o meu celular em lugar algum, nem no meu carro, nem na minha bolsa. Daí me lembrei que a última vez em que estive com ele em mãos havia sido na cafeteria, e assim que sai de lá esbarrei em um garoto e naquele exato momento em que esbarrei, o celular deveria ter caído.
Eu fiquei paralisada, o que mais poderia acontecer para me deixar mais para baixo? Fiquei andando de um lado para o outro até que liguei meu computador. Assim que fiz loggin no meu perfil do Facebook, vi que haviam algumas mensagens não lidas, inclusive a da minha melhor amiga, eu não havia dado notícias a ela e aposto que estaria desesperada por um sinal meu. Eu logo abri a mensagem que dizia o seguinte:
"Amiga, estou preocupada com você. Não me deu notícias desde de quando disse que iria sair com o chato do seu namorado. Liguei para o seu celular e um garoto estranho atendeu mas ele nem sabia o seu nome. Pensei que havia errado o número, mas estava certo, então pensei no pior das piores coisas que poderiam ter acontecido. Mas ele disse que você havia deixado o celular cair e estava tentando se comunicar com você para devolver, mas só um garoto estressado e insistente que estava ligando (sem dúvidas que seria o seu namorado). Ele me pediu para avisar você que está com seu celular e também pediu para você encontrar ele hoje as 17 horas na mesma cafeteria. Eu fiquei assustada. Se você quiser, eu vou com você. Se for trote por favor não vá. E se for me mande notícias, ainda tô praticamente sem entender nada. Beijos. Amo você."
No momento em que li que alguém ainda estava com meu celular, me bateu um breve alívio. Eu a respondi, expliquei como perdi meu namorado, e claro, o celular. Avisei que não era necessário ir comigo, que estava tudo bem e que não era um trote. Liguei para o meu celular, para confirmar a tal história. E no segundo toque alguém atendeu:
- Pronto!
- Oi, então. Eu perdi esse celular, quem está com ele?
- Ah, você é aquela garota que derrubou o café no meu amigo, não é mesmo?
Naquele exato momento eu congelei e rapidamente veio a cena do que havia acontecido, e consequentemente, o sorriso não estranho dele me veio em mente.
- Alô? Você ainda está aí?
- Oi, sim estou. Como faço para buscar? E te recompensar pelo o favor, é claro.
- Foi sua amiga ou o cara chato que te avisou? Ele é seu namorado? Ele ficou bem irritado em escutar minha voz.
Eu já estava irritada pois ele não respondia nenhuma das minhas perguntas.
- Não, ele não é meu namorado. E foi a minha amiga que avisou. Então, posso buscar as 17 horas na cafeteria?
- Interessante. Pode sim, estarei lá.
- Ok. Obrigada!
E eu desliguei.
Eu fiquei paralisada. Eu mal sabia quem era o garoto, mal poderia lembrar direito quem ele era. Mas algo me dizia para ir tranquila, para confiar nele, mas por qual motivo eu teria essa impressão que ele era uma pessoa boa? Talvez porque ele não ficou com o meu celular?
Foi nesses pensamentos que me perdi no tempo, e quando me dei conta já estava quase atrasada para a faculdade. Eu quase não me levantei, mas precisava. Aliás, não dava para ficar pensando no improvável e de bônus ainda me reprimir com a tristeza e angustia que não saía de mim.
Quando cheguei na faculdade encontrei minha amiga e ela me deu um abraço tão forte que eu jamais teria a soltado. E logo começamos a conversar sobre o que eu mais gostaria de esquecer. Ela sempre fez questão de lembrar que odiava o meu atual ex namorado e que ele era um idiota. Se fosse algumas horas atrás eu jamais concordaria, mas naquele momento eu sabia que ela estava certa, sempre esteve.
O sinal tocou e logo subimos para a sala, tudo o que eu queria era a minha cama, uma panela enorme de brigadeiro e ficar a sós com meus seriados e minha nova amiga, a tristeza. Mas eu tinha que estar lá, as 14 horas na mesma faculdade, olhando para as mesma pessoas, mantendo a pose de que estava bem, sem estar.
A primeira aula foi difícil de acompanhar, cada palavra que o professor dizia me fazia viajar, e por segundos pensei que estar presente e estar em casa seria a mesma coisa.
Quando acabaram as aulas, me lembrei que eu tinha algo para fazer: buscar meu celular com o Sr. Marrentinho do sorriso bonito e que não me é estranho. Minha amiga se ofereceu novamente para me acompanhar, na opinião dela era muito estranho em pleno século 21 uma pessoa devolver o celular achado, mas BINGO! Uma coisa boa em tantas outras ruins.
Eu cheguei no horário marcado, talvez quase, na verdade uns 10 minutos depois do horário marcado. Eu não recordava direito como ele era, mas assim que entrei na cafeteria fui direto para o mesmo lugar do dia anterior. Ainda esperei por volta de 10 minutos até que ouvi a porta abrir. No momento em que olhei, nossos olhares se cruzaram e eu vi aquele sorriso, pude ter certeza de quem eu estava esperando havia acabado de chegar.
Ele veio em minha direção e me cumprimentou, antes de se sentar ele disse:
- Antes de te entregar, me diz seu nome, foi difícil tentar se comunicar sem saber o seu nome.
- Oi marrentinho. Meu nome é Bruna, e o seu?
- Marrentinho? Como assim?
- Marrentinho por não responder algumas perguntas, como a que fiz a segundos atrás.
- Ah sim (ele riu). O meu é Marcelo, mocinha. Seu nome é muito bonito, porém prefiro te chamar de Bru, posso?
- Pode sim Sr. Marcelo!
Ele se sentou e entregou o meu celular. Assim que entregou meu celular ele chamou o garçom e pediu dizendo:
- Dois cafés bem quentes que a conversa vai ser longa, por favor.
Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. Nós conversamos muito e sobre tudo. Descobri que ele era da mesma faculdade que a minha, porém de curso e prédio diferente, por isso nunca nos encontramos. Eu reparei muito nele e vi que além do sorriso bonito a cor de seus cabelos eram meio acobreados de uma cor difícil de se encontrar, seus olhos eram mel, e sua pele branca feito neve, parecia um anjinho. Nessas comparações na minha mente e os nossos assuntos que pareciam não ter fim. Não percebi que as horas poderiam passar tão rápido e quando me dei conta já estava tarde e eu, como sempre, não havia dado notícias à ninguém. Eu disse a ele que eu precisava ir, e então ele me acompanhou, e por pura coincidência o carro dele estava estacionado ao lado do meu. Assim que me despedi, ele disse:
- Espero que não se incomode mas tirei algumas fotos no seu celular e gostaria que me enviasse, então gravei meu número nele, ok?
- Não acredito! Achei que nesse mundo as pessoas ainda eram menos aproveitadoras!
Nós rimos. Eu disse que estava brincando e que não tinha problema. Antes de entrar no carro, eu o abracei e agradeci por ter ficado e devolvido o celular, perguntei se ele gostaria de alguma recompensa e ele respondeu:
- Minha recompensa foi poder te ver de novo e a recompensa maior será me mandar as fotos e ainda me dizer o que achou.
E ele sorriu. Naquele momento tive a certeza de quem tinha ganhado a recompensa, e com certeza, era eu mesma. Entrei no carro e ele entrou no dele. Viramos e fomos por caminhos diferentes, o sorriso estampado em meu rosto durou até o instante de escutar meu celular tocar e eu anteder.
[Continua]

Tema do projeto Palavra & Foto: "E a cada passo que demos era uma lembrança para o nosso mural."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário aqui, adorarei ler ♥


© - Todos os direitos reservados. Desenvolvimento: Toque de Cor